Como foi minha infância em relação a família

Bom, eu nasci dia 24 de Outubro de 1990, uma quarta feira, e segundo relatos da minha mãe, no dia que eu nasci, ela passou mal, pediu ajuda a família, que negou, alegando que tinha uma cirurgia da cadelinha que era da minha vó, sendo assim, preterido por um animalzinho.

Meu pai biológico teve a infelicidade de dar o nome dele para mim, sendo que ele enganou minha mãe dizendo que era solteiro, e na verdade, além de ser casado, com filhos, a esposa também estava grávida. Ele não participou da minha criação, da minha infância. Poucas vezes apareceu na minha vida e quando apareceu, só causou tumulto e depois sumiu novamente.

Eu sou o filho caçula da minha mãe, tenho uma irmã 12 anos mais velha por parte de mãe, e tinha um irmão do meio por parte de mãe também, que infelizmente caiu no mundo das drogas, e veio a falecer em 2018.

Minha irmã, por ser mais velha e minha mãe não ter condições de pagar babá, acabou assumindo jovem, um papel que não lhe cabia, ajudando na criação e até se atrasando na escola como consequência. Depois acabou correndo atrás, fazendo supletivo para se formar, e como começou a carreira no ramo de padaria, trabalhou muitos anos, até mudar para telemarketing, e mais tarde, já com quase 40 anos, fazendo faculdade de Marketing, numa época que o mercado estava bastante concorrido, e sendo bem difícil a entrada no mercado de trabalho como uma profissional em empresas.

Minha mãe quando eu era bebê, conheceu o meu pai de criação, através de uma vizinha que ajudava a cuidar de vez em quando de mim, e com ele teve uma vida durante mais de 10 anos. Ele foi quem me assumiu como filho, criou, deu sustento a família enquanto minha mãe cuidava das coisas da casa.

Ele apesar de ser uma pessoa muito responsável, inteligente e capaz, ele não era amoroso, era um pai muito mais material, onde não deixava faltar nada em casa, mas não tinha abraços, ou coisas de pai e filho comuns a filhos de pais naturais.

Ele tinha sido religioso quando mais novo, mas tinha se desviado do caminho e mesmo assim, cobrava que minha mãe e irmã seguissem as regras religiosas, mesmo que ele mesmo não seguisse.

A família passou por diversas situações onde religião foi a causa de brigas e discussões, e era levado ao extremismo.

Em certa situação, por meu pai ter visto uma calça branca de minha irmã, minha mãe acabou rasgando a calça por conta de religião. Em outra situação, ele não permitiu que minha irmã fosse a um show da banda Roxxete na época, ficando marcado na adolescência dela.

Ele queria que minha mãe se vestisse como religiosa, porém não valorizava isso. Tanto que tempos depois, eu acabei descobrindo umas conversas e mostrando a minha mãe, sobre uma traição acontecido pela internet, na época que ainda ela engatinhava e ele por ser de Tecnologia, tinha acesso a ela.

Já presenciei momentos onde ele foi agressivo, derrubando a geladeira da casa em uma briga com minha mãe. Eu também por fazer sons estranhos, já cheguei a apanhar. Minha mãe tentava me proteger disso, mas as vezes não conseguia.

Ele tinha um primo, que ele trazia de vez em quando pra casa, e esse primo era quase como se fosse um cúmplice pra ele nessas questões.

Meu relacionamento com a família desse pai de criação era um pouco limitado. Eu as vezes acompanhava ele na visita que ele fazia a casa dos pais dele, e aí interagia um pouco com a família. Também tinha alguns parentes deles mais próximos que de vez em quando tinha contato.

A família da minha mãe eu tinha um pouco mais de relação, muito por conta da minha avó(a casa que morávamos era dela), tios e primos que vinham de vez em quando, e também, em um período da história, minha vó veio morar em nossa casa(que era dela no final das contas), depois fomos “empurrados” para a casa dos fundos, porque quiseram colocar meu primo lá. Depois colocaram minha Tia morando lá, e gente sempre morando de favor, porque meus pais não tinham condições de ter uma casa própria, ou alugar um lugar pra vivermos na época.

Essa casa foi a que passei toda minha infância, fiz as primeiras amizades, primeiras festas de aniversário, recebia os amigos, e também visitava alguns.

Por meu pai ser de TI, eu cresci no meio da informática, vendo ele programar e não entendendo nada. Vendo ele formatar computadores e instalar e configurar o Windows e outros programas. O primeiro jogo que me lembro de ter jogado de computador foi Prince of Pérsia, onde para passar de fase, gente tinha que imprimir uma folha com vários códigos e quando chegava na segunda fase, precisava olhar nessa lista para saber qual líquido beber. Usei desde o DOS, Windows 3.11, Windows 95, 98, ME entre outros, desde pequeno.

Primeiro Computador

Meu pai também foi professor de informática, na força sindical e LBV, chegando a ter dado aula para o Paulinho da Força e para o Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Eu tenho inclusive uma foto pequeno com ele em frente a algum portão da Galvão Bueno.

Próximo a Galvão Bueno

Eu só tinha 2 primas mulheres e vários primos homens, e 2 primas de 2° grau e alguns primos em que o meu contato era bem limitado, se restringindo a festas de natal e ano novo, e a alguma visita exporádica do meu pai pra consertar computador da família.

O meu irmão eu só vim a saber da existencia, já com uns 10 anos mais ou menos. Meu pai no início não permitia que eu conhecesse ele, e quando ele permitiu, ele vinha, ficava pouco, e era bem pouco quisto pelo meu pai.

O problema que meu pai nunca superou sobre ele foi que minha mãe demorou um pouco pra contar a existência dele, e quando contou ele não aceitou e fez minha mãe ter que fazer escolhas, que ela se arrepende até hoje, por conta de necessidade financeira.

Minha mãe não tem o fundamental completo, fez até a 7a série na época, lá na Bahia, e nesse rolo todo de Bahia/SP, acabou perdendo o histórico, e a escola lá na Bahia pegou fogo, inviabilizando o resgate dele.

Ela sempre foi uma mãe muito carinhosa, brava em alguns aspectos, firme em outros, e fez o inimaginável para que eu crescesse tendo educação e comida na mesa. Sempre foi meu suporte para tudo.

Infelizmente ela foi criada nos moldes “machistas” da época, onde a mulher cuidava da casa e o homem só trabalhava e estudava. Isso acabou refletindo bastante na minha criação, tanto que eu nunca aprendi a fazer muita coisa de casa, porque ela não deixava.

Mas isso não desabona em nada, a mãe carinhosa, dedicada, trabalhadora, resiliente que ela sempre foi. Sem ela eu não seria o que sou hoje.

Meu pai biológico, certo dia, apareceu no portão de casa, eu com uns 11, 12 anos, eu estava com minha amiga e ele chegou dizendo que era meu pai e que era pra eu chamar minha mãe.

Meus pais conversaram com ele, deixaram eu ir com ele até a padaria se não me engano. Depois voltou, falou um monte de besteira. Meu pai de criação falou um monte pra ele de volta e ele sumiu. Foi uma das poucas vezes, que me lembro do contato com meu pai biológico.

Eu quando era pequeno gostava bastante de jogar, de pokemon, e eu tinha um amigo que tinha feito, mais velho, que tinha problemas com epilepsia. Ele era aposentado por conta disso e morava com a avó. Ele tinha na época Gameboy Advanced SP e mais tarde DS. Quando ele ia lá, eu ficava vendo ele jogar Pokemon.

Um dia aleatório, meu pai me viu jogando com ele, e disse pra minha mãe que eu não ia ser nada na vida, que eu ficava jogando.

E ele pagou a língua, porque mais pra frente, eu trabalhei pra ele e cuidava da empresa dele sozinho, tanto de coisas administrativas quanto técnicas. Ele depois de alguns anos, deu o braço a torcer e se arrependeu da fala.

Quem eu me tornei, ainda vou contar em próximos posts.

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